Você viu o tempo passar? - uma breve reflexão sobre o papel do tempo em nossas vidas.



AH O TEMPO! Quantas vezes o sentimos escorrer entre os dedos das mãos? Quantas vezes gostaríamos que ele passasse mais depressa ou que nunca passasse? Quantas vezes sentimos vontade de aprisioná-lo para eternizar um único momento? Mas a experiência do tempo é algo que nos acompanha ao revés do nosso desejo.


Desde que nascemos, o tempo é um dos grandes regentes da nossa vida. De antemão, precisamos de um tempo para nascer. Nossa gestação e nascimento é nossa primeira lição sobre o Tempo. É necessário um prazo para estarmos prontos para a vida, para que cada parte do nosso corpo se constitua e mature adequadamente. Caso isso não ocorra há risco de vida. Assim como as borboletas, que necessitam de um tempo vivendo como lagartas e depois encasuladas, nós também precisamos estar prontos para nossa metamorfose!




A desdém dessa nossa primeira aula sobre o tempo, há quem passe a vida acelerado, preocupado com o porvir. Tentativa de nascimento prematuro, sem perceber que ainda não é chegada a hora! Mas não conseguem respeitar o tempo e com isso permanecem ansiosos.


A ansiedade se relaciona diretamente com a forma como lidamos o tempo. Nela vivemos pré ocupados com o futuro. Tentamos mentalmente determinar todas as variáveis do evento que está para acontecer. E isso nos corrói por dentro, de modo que chega a doer o estômago. Ao querer acelerar o tempo, aceleramos os batimentos cardíacos, a respiração... todo nosso corpo ressoa nossa ansiedade. Mas quando é finalmente chegada a hora, o processo ocorre à revelia de muitas das coisas que fantasiamos e nos preocupamos. Mas como é difícil tolerar essa ideia de ausência de controle, não é mesmo?


Para isso precisamos recuperar um senso primordial de CONFIANÇA NA VIDA. Nos despir da insegurança e da ideia de que podemos controlar as coisas. Entender que a vida é um processo, e que assim como o nascimento, tem um propósito e um sentido que se revelará para nós durante seu curso e não antes da passagem.


Como menciona o Psiquiatra Junguiano Carlos Byington,os pais ensinam aos filhos como é a vida, relatando-lhes as experiências pelas quais passaram. Os mitos fazem a mesma coisa num sentido muito mais amplo, pois delineiam padrões para a caminhada existencial através da dimensão imaginária”. Assim, podemos recorrer aos mitos para compreender a questão do tempo. E eis que apresento a vocês dois deuses e três senhoras do destino relacionados na mitologia grega.