Meu primeiro consultório: Reflexões sobre o início da prática clínica



A todo tempo muitos profissionais da área da Psicologia estão prontos para entrar no mercado de trabalho ou montar seu próprio negócio. Como psicóloga fico pensando na enorme quantidade de colegas que, recém-formados ou não, estão na expectativa de iniciar sua atuação na área clínica. Com certeza um desafio e tanto a ser enfrentando.


Isso me fez lembrar de quantas dúvidas, medos e inseguranças pairavam sobre a minha cabeça na época em que resolvi desbravar este caminho. Por isso, decidi compartilhar um pouco da minha vivência e quem sabe, através da minha história motivar aqueles que estão começando.


O primeiro consultório para quem quer seguir a carreira de psicólogo clínico é um grande sonho! Lembro de passar horas imaginando como seria minha sala, os primeiros pacientes chegando e de como seria a conquista do meu espacinho ao Sol.


Olhando para o passado, percebo que naquela época cometia o meu primeiro erro: não via o consultório como um negócio, mas como um trabalho! Qual a diferença? O trabalho exige seu esforço, sua produtividade. Mas o negócio exige planejamento e investimento.


Percebo que desde que passei a ver a clínica também como um negócio as coisas mudaram bastante. A possibilidade real de ter meu tão sonhado consultório, com a minha cara, a minha energia e com o resultado esperado, só começou a dar certo quando eu mudei a maneira de investir no meu sonho.

Investimento foi para mim a palavra chave e ele precisou ocorrer em diferentes níveis.


Primeiramente foi preciso investir na formação. Neste ponto, a graduação foi só o começo! Fazer especializações, supervisão, participar de grupos de estudo, manter a terapia pessoal, participar de congressos e eventos...enfim, estar em constante aprendizagem e reciclagem é o primeiro passo para um negócio dar certo. E para continuar dando certo ao longo dos anos também. Por isso, parar de estudar? Nunca!


O conhecimento é fundamental para que consigamos fazer um trabalho bem feito. E esse é o melhor marketing que podemos fazer.


O segundo passo é o investimento financeiro. E esse acho que é um dos pontos mais fracos para nós psicólogos. Não somos ensinados na faculdade a sermos donos de um negócio e por isso, o planejamento e o investimento financeiro não fazem parte do nosso background. Mas, se pensarmos em outros ramos, quem consegue montar alguma coisa sem investir algum dinheiro?


Então, como não nos preparamos para investir, corremos o risco de sublocar ou alugar uma sala sem muita análise do quanto esse espaço reflete nossa personalidade e nossa forma de trabalho. Às vezes, sublocamos um horário numa clínica numa região qualquer, fazemos um cartão de visitas, mas nem ao menos ocupamos nosso espaço!


Ocupar o espaço é outro ponto muito importante. Ocupar significa se apropriar, fazer de um espaço algo seu. Portanto, o primeiro erro é sublocar um horário e ficar esperando em casa que o primeiro paciente chegue para que você comece a ir para o consultório. Se agimos assim, o que acontece é que nosso espaço fica vazio e o lugar do consultório dentro da gente também!


Nesses dez anos de carreira acompanho muitas histórias de pessoas que só começaram a decolar na clínica quando realmente “ocuparam” o espaço do consultório em suas vidas!


Parece que o que eu estou falando é algo mágico, que depende “da energia”,